01/12/2006

Poèmes d'Iris

Irisiades 11

 

O lençol do teu olhar

Estende-se humido na sombra de mim

 

Descalço nos caminhos de ti

Inteiro, despido, rendido

 

Despertar no teu corpo menina

Na aurora das tuas esperas

Tempo de roma, tempo de ti

Toccata, tango, sinfonia

 

O instante fugaz eternisa -se

Num album de fotos descoloridas

Num in-passado, num a-venir

Nas garras duma vontade

 

 

(Chée d’XL, dezembro 2006-12-01)

 

iris-chapeau

Iris, le premier vibromasseur belge !

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29/11/2006

de acasos e modas

embora não sinta
que de vêr teus olhos os meus se ausentam
no rosto pardo da tarde
os azuis celestes se esbatem sobranceiros
acaso sentes o fio da espada
no limiar da sombra amada

 

na dobra das modas enlatadas
um desfazer de meias e de sêdes

11:11 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |

27/11/2006

Zeca Baleiro for ever : Babylon

Minha religião é o prazer
Não tenho dinheiro pra pagar a minha ioga
Não tenho dinheiro pra bancar a minha droga
Eu não tenho renda pra descolar a merenda
Cansei de ser duro vou botar minh'alma à venda
Eu não tenho grana pra sair com o meu broto
Eu não compro roupa por isso que eu ando roto
Nada vem de graça nem o pão nem a cachaça
Quero ser o caçador, ando cansado de ser caça
Ai morena viver é bom, esquece as penas vem morar comigo em Babylon

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EPOPEIADA

CANTO III

Olhei os teus olhos olhei

teus olhos e no azul do céu

descortinei gaivotas de sonho
a voarem serenas   indiferentes à tempestade

 

Olhei assim deste lado   aqui repara

como sao belos teus olhos

quando a fitarem gaivotas

brancas   sao um céu azul ameno

pobres olhos – amigo – gaivotas

serenos azuis indifrentes

 

E no entanto hà um mar

Um céu aberto, uma imensidao de sonhos

A desfaser-se-te nas maos

Porquê amigo porquê

E a tempestade, nao a vez ?

 

Nao ouves o rugir do mar, inquieto e mau
nao sentes isso, a onda disforme

Que se aproxime e vai destruir

Olha amigo, nao a vez ? serà possivel ?

Onda,

Qual onda qual céu aberto
oh sim as gaivotas
o branco, o azul sereno

Nao é belo isto que vemos?

porquê a tempestade, nao a vejo
nao a oiço, nao a quero sentir
Hà em cada branco da gaivota
um sorriso azul do céu aberto
hà a madrugada que desperta e a onda
amigo
a onda é uma vaga de espuma
a brincar na areia   delicadas rendas
efémeras.

Olhei teus olhos
olhei-os tristes porque te é dado ser cego
e nao veres amigo
deixa a tua mao na minha, presa
a tempestade vem célere
a onda jà quase rebenta
vem amigo
hà outro céu, outro azul
hà também gaivotas brancas
e um mar imenso   que nao outro
hà um lugar para o sonho, para a vida
para a morte

Vida, morte
deixa là amigo
vai-te assim receoso
deixa-me possuido pelo fragil da onda
destas gaivotas feridas, barcas azuis
hà aqui um mar imenso – deixa-me sê-lo
o céu abert   e ilusao    e sonho
deixa-me assim, vai-te amigo


 

MALIENNE

 

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18/11/2006

epopeiada

CANTO II
a vida é o realisar

dos sonhos em linguagem traduzida

do fluido liquido do cosmo

filtrada, resvalada

o real jà algures fi sonhado

uma vez  -  um alguém

 

o amanha o ontem futurizado

o espaço o sol o voo da ave

nocturna

obra eterna  inexistente

a realidade é a ilusao do sonho

porque so ele é real

e nele se revela o visual instante

 

cosmo imaginario

inventando em vida o grito da garça

sendo tudo o mais que falso

atentado dos soluços do sonho

 

existe uma flôr

um arado   - uma mao grossa

e calosa a madrugada

 

hà um azul imaginario

e no limite virtual

a ganga azul do cereal suado

 

hà em cada pé

a terra a vomitar calor

em cada grao o verde da poesia que nasce

 

hà no amanha

uma promessa

um porvir   sorriso   despertar

 

hà o rosto aberto da madrugada

 

hà sim no teu olhar em sangue

a miséria dos anos a descansar serena

 

hà trombetas de guerras

e pelas ruas o ventre aberto dos teus odios

 

hà também

a borboleta de luz

o despontar suave do teu olhar

e os amanhas desfeitos

cerrando a garganta da vida

acorrentando as maos do querer

 

hà - hà sim

um outro mundo

de cruzes e marmores

e promessas teias de aranha

 

hà um deus desconhecido

a sirrir-te divertido

um encantamento a resvalar tépido

 

hà pois na madrugada clara

o triste despertar o despertar

do fogo nos teus braços

em cada esquina

e nas maos abertas o grito da poeira do tempo

 

hà o amanha flôr

sem promessas nem ilusoes

o sentido vago da calma

que desperta embaraçada e dôce

como a chama  maresia  giesta

anoitecida em campos

 

hà sim hà que aver

em cada olhar o voo largo

a gaivota branca

o céu azul a despontar imenso

 

no coraçao da revolta

hà também um sonho

em cada voz cada olhar

o desejo de uma flôr

um sorriso uma criança.

 

(Negage - Août 1970)

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17/11/2006

EPOPEIADA

CANTO I


Abram-se as portas do sonho

voador  maresia  encantamento  caminho de

Luz  onda  pranto  resguardo

abram-se vida chôro sorriso

veias das virtudes encharquem

de sangue quente

as ruas calçadas

ilusoes ilusoes

 

Caminho  poesia  voo

mar abert

quedem-se no meu sangue meu

odio   minha esperança

por ai  todos

ninguém

 

cricifiquem-me olhares

aprisionem-me palavras

agrilhoem-me protestos   làgrimas

venham e cantem

riam  pulem   dancem

façam um grande festim e babem

na taça unica o meu corpo

pernas braços olhos

coraçao e sexo

esmaguem   trucidam   cantem

 

façam-me sono   vôo   ilusao

VIDA

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14/11/2006

horas e prantos

Agora, na hora cruz

aberto na bôca da vida

estranho estilete de luz

a alvejar certeiro a ferida

 

de prantos imensos

o vómito azedo

de prantos mansos

o antigo enredo

 

carambas e sambas

meninas abertas ao nexo

e pernas, liquidas gelosas

a escorrer no meu plexo

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