02/01/2007

EPOPEIADA CANTO IV (suite)

Despertar cheio para o amanhã
e abraçar o vazio solitário da inexistência
ambição   derrota   acaso

é necessário descobrir nos cantos de luz
no sorriso aberto teu sonho
branco vestido   gaivota
o olhar brando, ternura
sentimento   o mêdo
coragem vazia dos loucos
é preciso inventar cada instante
o justo sentido do nada
potência cosmo do génio
criação expontânea geradora
vicios virtudes códigos leis tribunais
jornais muito velhos
povos de joelhos   dores antigas

hà no meu sonho de névoa
o desgosto do teu rosto
e o teu sorriso vazio sem sentido
pretenção vaidade virtude
atitude gesto canção
minha mágua

mar eterno adormecido no meu peito
minhas mãos

quero arrancar do teu gesto um grito
quero fazer de teux olhos uma vaga
quero quero
quero assim inutilmente

ens nas mãos as coisas falsas
os instrumentos reais
do qu os compêndios t'ensinam
és dono senhor e mestre
ditas frases   arrotas
e cagas encolhido prà rua
tua miséria rôta.

pobre
pobre   assim és
carregas nos ombros os séculos
de tantos séculos miséria

tenho no peito um país
meu olhar   um segredo
e nestas mãos disfarçadas
uma mágua   uma dôr
um chôro antigo

é meu país todo inetiro
a caminhar de joelhos
anda menino loiro
de olhos azuis   teu céu
brinca comigo   eu quero.

 

(Negage, Agosto 1970)

23:13 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |

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