29/11/2006

de acasos e modas

embora não sinta
que de vêr teus olhos os meus se ausentam
no rosto pardo da tarde
os azuis celestes se esbatem sobranceiros
acaso sentes o fio da espada
no limiar da sombra amada

 

na dobra das modas enlatadas
um desfazer de meias e de sêdes

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27/11/2006

Zeca Baleiro for ever : Babylon

Minha religião é o prazer
Não tenho dinheiro pra pagar a minha ioga
Não tenho dinheiro pra bancar a minha droga
Eu não tenho renda pra descolar a merenda
Cansei de ser duro vou botar minh'alma à venda
Eu não tenho grana pra sair com o meu broto
Eu não compro roupa por isso que eu ando roto
Nada vem de graça nem o pão nem a cachaça
Quero ser o caçador, ando cansado de ser caça
Ai morena viver é bom, esquece as penas vem morar comigo em Babylon

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EPOPEIADA

CANTO III

Olhei os teus olhos olhei

teus olhos e no azul do céu

descortinei gaivotas de sonho
a voarem serenas   indiferentes à tempestade

 

Olhei assim deste lado   aqui repara

como sao belos teus olhos

quando a fitarem gaivotas

brancas   sao um céu azul ameno

pobres olhos – amigo – gaivotas

serenos azuis indifrentes

 

E no entanto hà um mar

Um céu aberto, uma imensidao de sonhos

A desfaser-se-te nas maos

Porquê amigo porquê

E a tempestade, nao a vez ?

 

Nao ouves o rugir do mar, inquieto e mau
nao sentes isso, a onda disforme

Que se aproxime e vai destruir

Olha amigo, nao a vez ? serà possivel ?

Onda,

Qual onda qual céu aberto
oh sim as gaivotas
o branco, o azul sereno

Nao é belo isto que vemos?

porquê a tempestade, nao a vejo
nao a oiço, nao a quero sentir
Hà em cada branco da gaivota
um sorriso azul do céu aberto
hà a madrugada que desperta e a onda
amigo
a onda é uma vaga de espuma
a brincar na areia   delicadas rendas
efémeras.

Olhei teus olhos
olhei-os tristes porque te é dado ser cego
e nao veres amigo
deixa a tua mao na minha, presa
a tempestade vem célere
a onda jà quase rebenta
vem amigo
hà outro céu, outro azul
hà também gaivotas brancas
e um mar imenso   que nao outro
hà um lugar para o sonho, para a vida
para a morte

Vida, morte
deixa là amigo
vai-te assim receoso
deixa-me possuido pelo fragil da onda
destas gaivotas feridas, barcas azuis
hà aqui um mar imenso – deixa-me sê-lo
o céu abert   e ilusao    e sonho
deixa-me assim, vai-te amigo


 

MALIENNE

 

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18/11/2006

epopeiada

CANTO II
a vida é o realisar

dos sonhos em linguagem traduzida

do fluido liquido do cosmo

filtrada, resvalada

o real jà algures fi sonhado

uma vez  -  um alguém

 

o amanha o ontem futurizado

o espaço o sol o voo da ave

nocturna

obra eterna  inexistente

a realidade é a ilusao do sonho

porque so ele é real

e nele se revela o visual instante

 

cosmo imaginario

inventando em vida o grito da garça

sendo tudo o mais que falso

atentado dos soluços do sonho

 

existe uma flôr

um arado   - uma mao grossa

e calosa a madrugada

 

hà um azul imaginario

e no limite virtual

a ganga azul do cereal suado

 

hà em cada pé

a terra a vomitar calor

em cada grao o verde da poesia que nasce

 

hà no amanha

uma promessa

um porvir   sorriso   despertar

 

hà o rosto aberto da madrugada

 

hà sim no teu olhar em sangue

a miséria dos anos a descansar serena

 

hà trombetas de guerras

e pelas ruas o ventre aberto dos teus odios

 

hà também

a borboleta de luz

o despontar suave do teu olhar

e os amanhas desfeitos

cerrando a garganta da vida

acorrentando as maos do querer

 

hà - hà sim

um outro mundo

de cruzes e marmores

e promessas teias de aranha

 

hà um deus desconhecido

a sirrir-te divertido

um encantamento a resvalar tépido

 

hà pois na madrugada clara

o triste despertar o despertar

do fogo nos teus braços

em cada esquina

e nas maos abertas o grito da poeira do tempo

 

hà o amanha flôr

sem promessas nem ilusoes

o sentido vago da calma

que desperta embaraçada e dôce

como a chama  maresia  giesta

anoitecida em campos

 

hà sim hà que aver

em cada olhar o voo largo

a gaivota branca

o céu azul a despontar imenso

 

no coraçao da revolta

hà também um sonho

em cada voz cada olhar

o desejo de uma flôr

um sorriso uma criança.

 

(Negage - Août 1970)

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17/11/2006

EPOPEIADA

CANTO I


Abram-se as portas do sonho

voador  maresia  encantamento  caminho de

Luz  onda  pranto  resguardo

abram-se vida chôro sorriso

veias das virtudes encharquem

de sangue quente

as ruas calçadas

ilusoes ilusoes

 

Caminho  poesia  voo

mar abert

quedem-se no meu sangue meu

odio   minha esperança

por ai  todos

ninguém

 

cricifiquem-me olhares

aprisionem-me palavras

agrilhoem-me protestos   làgrimas

venham e cantem

riam  pulem   dancem

façam um grande festim e babem

na taça unica o meu corpo

pernas braços olhos

coraçao e sexo

esmaguem   trucidam   cantem

 

façam-me sono   vôo   ilusao

VIDA

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14/11/2006

horas e prantos

Agora, na hora cruz

aberto na bôca da vida

estranho estilete de luz

a alvejar certeiro a ferida

 

de prantos imensos

o vómito azedo

de prantos mansos

o antigo enredo

 

carambas e sambas

meninas abertas ao nexo

e pernas, liquidas gelosas

a escorrer no meu plexo

16:34 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |