08/05/2006

... antigarias

Amor

 

Não leves o Sol nas mãos

quando fôres amor à praça

onde até o sol se vende

 

e sobretudo não digas

essas palavras que nascem

da brisa que cresce em ti

 

quando passares pela praça

onde se compram palavras

onde as palavras se vendem

 

Nem perguntes pelo nome

que no peito escrito trazes

porque hà nomes que se compram

os nomes também se vendem

nessa praça onde tu passas

tão sem preço como o preço

que o vento teria amor

se o vento tivesse preço

 

Nunca vistas os teus olhos

das manhãs que vais tecendo

nem soltes os teus cabelos

às tranças do vento amor

 

Com teu cesto de carinho

nunca vàs amor à praça

onde até o amor se compra

onde ele se vende sem graça

 

E seu partir para a guerra

não perguntes quando volto

nem com làgrimas desenhes

minha ausência no teu rosto

 

e sobretudo não fales

meu amor de paz na praça

onde até se compra a guerra

onde a propria paz se vende

 

Esconde as guitarras e abril

que trazes dentro de ti

prende os cabelos ao vento

e guarda a vida nos dedos

não vão teus dedos perder-se

qua a vida também se compra

a vida também se vende

é simples mercadoria

 

Nessa praça onde tu passas

tão sem preço como o preço

que o vento teria amor

se o vento tivesse preço¡

 

 

Bruxelles, 1973

15:28 Écrit par Joz | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |

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