11/04/2006

cestos e quintos

 Quatro quintos

« J’ai été surréaliste, me voilà hiver

de tous ces mots à briser »

Alain Petre

 

Afogado num pantano de duvidas

com teias de aranha por horizonte

 

        o homem cresceu sentado

na beira de abismos profundos

que lhe teceram a memoria

 

Encostado no vazio das ideias

no amarelo das causas perdidas

 

       o homem engordou très livros

emaranhado no sexo

entre masculinos plurais e singulares femininos

 

É na frase que o verbo seduz

mas na gramàtica da vida

        o homem encorpou semântico

a sonhar romances

côr-de-burro-quando-foge...

 

O homem curvou a espinha

para regar com as suas làgrimas

o pão que nasce dos trigos

 

e acorrentou-se à terra

os pés prisioneiros da guerra

as ideias escravas do barulho

cego, surdo e sem voz

passou procuração para lhe fazerem

revoluções, mudanças victorias

 

mas acordou desesperado

nos braços de novas correntes

ai menino, escravo e moço

 

Bruxelles, 4/1984

14:34 Écrit par Joz | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |

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