14/03/2006

poemas interditos

In-fracções

 

Vem amor

tecer tuas mãos passantes

em meu corpo de menina

 

Não esquives olhares de fome

de tua bôca sedenta

deixa deitarem-se teus làbios

na minha rosa perfume

deixa teus dentes cravarem-se

na minha loira espiga

 

Entrega-te amor então

entra-me por esta chaga adentro

meu corpo é teu campo de trigo

aberto ao teu sexo lavrador

 

Deste pão, só deuses o comem

de farinhas petridas em mós brejeiras

magoam-me teus braços de pedra dura

 

Eis-me assim a oferecer-me

azul em copo de àgua

em dôce veludo etéreo

aberta em porta obscena

em mil viagens de louca

 

Vem amor entrar-me adentro

em meu corpo dado de menina

 

em Bruxelas, 1984

10:32 Écrit par Joz | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |

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