24/01/2007

EPOPEIADA CANTO V (suite)

Vieram serras imensas
cercaram as terras
vieram verdes caféeiros
cobriram a terra
e do sangue escuro café
morreram morreram

Ficaram as terras
e as serras
do café escuro da terra
banhada nasceram mais pés
e braços e punhos
e em cada mão uma arma
em cada olhar uma bala
em cada grão um grito

Ficaram as serras
cidades cercadas e a terra
verde escura
e o sangue que do café
se exporta para as barrigas do mundo

Vieram armas sem raíz
nascidas do ódio
negras botas
terra pisada, café esmagado
regado a sangue

Cresceu a cobrir-se de serras
corpos caidos, apodrecidos
cobertos de guerra
e a terra sem ventre
fecundada, violada
de negras botas pisada

Desenraizada das armas
terra cansada, suada
nas costas marcada
calçada, torcida
esperma sangrente d'infantes

Escuro café exportado
suado, sangrado
das serras cercado
de terras, cidades
dos grãos cansados, raízes
sem armas

Vieram as serras das terras
de verdes vestidos
ficaram cidades e armas
sem raizes
de negras botas e risos

E no coração das serras
no ventre da terra
garganta apertada
de gritos olhares
e o chôro, revolta.

17:43 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |

11/01/2007

Jacques IZOARD :le maître

Esgota em ti esta seiva
que rebenta como vidro
que ofusca a água
e que difama o àrido verão.

Preserva em ti o suave
sabôr, a verdura e o ardôr
que te inunda e persuade
no auge do amor.


Vagem que te amarra
como uma casca de noz
junto a um olho
que é apenas um lago
onde estacam as lágrimas.

traduction de José REIS

21:17 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |

02/01/2007

EPOPEIADA CANTO IV (suite)

Despertar cheio para o amanhã
e abraçar o vazio solitário da inexistência
ambição   derrota   acaso

é necessário descobrir nos cantos de luz
no sorriso aberto teu sonho
branco vestido   gaivota
o olhar brando, ternura
sentimento   o mêdo
coragem vazia dos loucos
é preciso inventar cada instante
o justo sentido do nada
potência cosmo do génio
criação expontânea geradora
vicios virtudes códigos leis tribunais
jornais muito velhos
povos de joelhos   dores antigas

hà no meu sonho de névoa
o desgosto do teu rosto
e o teu sorriso vazio sem sentido
pretenção vaidade virtude
atitude gesto canção
minha mágua

mar eterno adormecido no meu peito
minhas mãos

quero arrancar do teu gesto um grito
quero fazer de teux olhos uma vaga
quero quero
quero assim inutilmente

ens nas mãos as coisas falsas
os instrumentos reais
do qu os compêndios t'ensinam
és dono senhor e mestre
ditas frases   arrotas
e cagas encolhido prà rua
tua miséria rôta.

pobre
pobre   assim és
carregas nos ombros os séculos
de tantos séculos miséria

tenho no peito um país
meu olhar   um segredo
e nestas mãos disfarçadas
uma mágua   uma dôr
um chôro antigo

é meu país todo inetiro
a caminhar de joelhos
anda menino loiro
de olhos azuis   teu céu
brinca comigo   eu quero.

 

(Negage, Agosto 1970)

23:13 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (0) |  Facebook |

27/12/2006

Feliz Ano Novo

A todos aqueles que por aqui passam, Amigos, Passantes, Distraidos e Outros, vai um beijo do coraçao, com Amizade...

coucher soleil

 

01:34 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (1) |  Facebook |

07/12/2006

Irisiades 21 e 31

 


Irisiades 32ebene22

 

De estranhamente irradiado

as mãos esquecidas no teu corpo

tecendo rendas de desejos roucos

nas praias das tuas areias espraiado

 

nem só de mim pra você

nem só de você pra mim

 

o mel tecido na colmeia dos teus sonhos

tua voz sómente no son poente

e o passado intacto a revelar presentes

que ninguém que nós outros pressente

 

o teu voar em purpuras curvas

e a tua paz a morrer ausente
 

10:19 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (2) |  Facebook |

06/12/2006

Irisiades 12

A raiva submersa, o olhar vazio

Na garganta o pranto sêco

 

Dos instantes da vida, apenas o eco

Naufragado na vaga d’espuma.

antes e depois, agora e sempre

Nas mãos abertas o sfinx alerta

Mais vale chorar que morrer

Mais vale viver que chorar

 

Teus olhos nos meus, caravelas ao vento

Nas vagas do teu suor vertente


(Chée d’XL, dezembro 2006-12-01)

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04/12/2006

BLOG : defender o quadrado

Dezembro (cliquer sur l'image)

O dia amanheceu de cara lavada. Bach convida à meditação.

Começamos o mês da boa vontade artificial, da solidariedade encomendada e enfeitada, dos coros pouco celestiais.

Olhemos para nós, para o percurso da nossa vontade, dos nossos gestos diários, das nossas prioridades enquanto cidadãos. Dezembro é o exemplo do desperdício, do cinismo e da hipocrisia, da inveja e da ambição, de tudo o que é descartável e perecível.

Ainda estamos a 1 de Dezembro deste ano. Eu gostaria de estar já a 1 de Janeiro do próximo ano.


(Ilustração de Stefan Mart: christmas shopping)

09:59 Écrit par Joz dans Général | Lien permanent | Commentaires (1) |  Facebook |